domingo, 16 de janeiro de 2011

Tipos de Pseudo-Intelectuais Cinéfilos

Pseudo Nível - 1
Amelie Poulain - filme citado pelos pseudo-intelectuais adolescentes ou adultos jovens. É uma especie de "Poliana" cult para eles.
Tudo Sobre a minha Mãe - Almodovar é campeão nisso... é o diretor que mais faz filmes que são adorados pelos pseudos... todo pseudo cita ao menos um Almodovar., Os favoritos quase sempre são: Tudo Sobre a Minha Mãe, Fale com Ela e Má Educação.

Cinema Paradiso é sempre citado pelos pseudo como um dos filmes mais belos do mundo, e você so poderá discordar disso se optar por dizer que o filme mais belo é A Vida É Bela. Mas sempre preferem a primeira opção.

Pseudo que é pseudo acha Laranja Mecanica o filme mais inteligente ja feito na terra, Kubrick é o deus da pseudagem.

O pseudo Nivel 1 - Também adora os filmes: Memorias de Uma Mente Sem Lembranças, Requiem Para um Sonho ,Transpointg, Oldboy, Dogville e Magnólia.

Pseudo Nível 2 -
O pseudo nível 2 ainda é meio nivel 1 é como uma fase de transição.
O Pseudo nível 2 - Acha Kubrick um gênio, porem diz que 2001 é o seu melhor filme.
O Pseudo nível 2 - Adora citar filmes de Almodovar que ele acha que só ele viu, como: Lei do Desejo, Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos, Ata-me.
O Pseudo nivel 2 também gosta de Bertolucci, frequentemente fala sobre Os Sonhadores ou Ultimo Tango em Paris.
O Pseudo nível 2 - Aluga o Poderoso Chefão.
Pseudo nível dois cita: Táxi Driver, Clube da Luta.
O Pseudo nível 2 também é muito impressionado com Janela Indiscreta e outros filmes do Hitchcock.
Adora falar sobre Polanski.

Pseudo Nível 3
O pseudo nível 3 descobriu Bergman, e o seu filme preferido do Bergman é o Sétimo Selo.
Alguns também falam de Morangos Silvestres.
Pseudo nível tres gosta de dizer que ficou atormentado com Ensaio sobre a Cegueira.
Ele também gosta de falar de cinema brasileiro como: O Auto da Compadecida, Central Do Brasil, O Que é Isto Companheiro e Deus e o Diabo na Terra do Sol, ele adora Glauber Rocha.
Pseudo nível 3 começa a falar sobre Rodin, logo após ter assistido Camille Claudel.
O Pseudo nível 3 acha que conheceu a Nouvelle Vague e sua principal citação é: Os Incompreendidos do Truffaut.
Outro filme que ele provavelmente viu é Hiroshima, Meu Amor.
E Band à part por ter visto um trechinho nos Os Sonhadores.
Esse adora citar Chaplin pra tudo...

Pseudo nível 4:
Este é fã do Godard por causa de Alphavile e Acossado.
Seus filmes preferidos do Bergman são Gritos e Sussurros e Persona.
Adoram falar de filmes iranianos - Gosto de Cereja e Filhos do Paraíso.
Gostam muito da trilogia das cores (A Liberdade É Azul, A Igualdade é Branca, A Fraternidade é Vermelha)
Acham que os melhores filmes do Antonioni são: Blow-Up, Profissão Reporter
Já assistiram Amarcord e Oito e Meio do Fellini.

Nível 5:
Ja viram uns 12 a 15 filmes do Bergman e fazem comparaçoes entre : Cenas de um Casamento e Saraband.
Interpretam Persona, gostam de Fanny e Alexander, ja viram O Ovo da Serpente e Luz do Inverno.
São fãs do Godard gostam muito de: Viver a Vida, Pierrot Le Fou, O Desprezo, A Chinesa. Comparam os momentos do Godard.
Gostam do Buñuel: Viridiana, O Discreto Charme da Burguesia, O Anjo Exterminador.
Filme preferido do Fellini pra eles são: Ensaio de Orquestra, A Estrada
Detestam os filmes do nível 1 e se acham muito superiores e conhecedores de toda a verdade Cinéfila.
Do Antonioni gostam de A Aventura, A Noite, O Eclipse. Ja viram todos os filmes de Antonioni.
Gostam do Humor de Jacques Tati.
Já leram Edgar Allan Poe, Hegel, Freud, Skinner, Carl Rogers, Nietzsche, Montesquieu. Alguns entram em cursos como Cinema, Psicologia, Filosofia, Jornalismo. Por motivos cinéfilos.
Ja assistiram o expressionismo Alemão, viram Metropolis e o Gabinete do Dr. Caligari.
Adoram os Russos, já viram: Ivan, o Terrível.
E todos, todos, do Andrei Tarkovsky. Mas preferem Andrei Rublev pois quem gosta de Stalker está no nível 4.
Ja viram dois filmes do Sergei Paradjanov, A Cor do Romã e Os Cavalos de Fogo. Mas não encontram ninguém para falar sobre estes filmes.
Do cinema Brasileiro procuram os filmes mais cults.
Assistem filmes como Satantango so pra dizer que viram ou pra mostrar a sua ultra sensibilidade.
Vivem em busca de bons diretores desconhecidos...

Nível 6 - Assistem filmes de qualquer nacionalidade sem legenda.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

- A vida matou o meu personagem.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Autobiografia

Eu era de plástico. Era frágil, mas, não como os seres humanos. Não tinha sentimentos, e filosofava o tempo inteiro; Era muda, movia-me apenas com ajuda alheia. Estava presa em mim. Era como se houvesse uma barreira de vidro entre mim e o mundo, e ninguém poderia adivinhar o meu segredo. Eu enxergava...

Morria muitas vezes - a morte em si era sempre igual. Mas, como o material reciclável que sou, voltava sempre diferente. Por isso eu tinha medo da morte, medo do que me tornaria numa próxima vida. Já tivera sido muitas coisas. Teve uma época em que fui uma garrafinha de refrigerante, foi quando me senti mais próxima de uma família, onde eu estava no centro da mesa e, sentados a minha volta, estavam avô e avó, tia e primos. E todos esperavam muito de mim, afinal eu era uma garrafa de coca-cola de dois litros, muito embora comentassem que a outra da garrafinha de vidro tinha um sabor melhor.

Lembro-me de ter sido também uma cadeira de escritório, mas, talvez o mais difícil tenha sido ser uma daquelas seringas de hospital. Foi a primeira vez que eu causei pavor e dor em uma vida alheia. Tempo difícil aquele...

Assistia coisas pela T.V., e o que há de pior na minha situação é que nem sempre você pode enxergar as coisas pelo melhor ângulo. Fico, então, da forma como fui deixada - às vezes de lado, ou de costas, ou até de cabeça para baixo. Dormir é impossível: estou sempre acordada para tudo, embora, muitas vezes, gostaria apenas de fechar os olhos.

Às vezes as palavras podem conotar algum sentimento, mas, acredite, eu não os tenho.

E então, agora, há um ser humano pensando ser o meu dono - pensa mesmo. É que ele não entende nada de ecologia.

Ele conversa comigo às vezes. Até pensei que sabia o meu segredo. Enganei-me, pois logo notei que ele não compreendia nada. Apenas falara pela solidão que sentia, mas já não faz mais isso há algum tempo. Eu ficava então com a tv, via romances em novela, filmes da sessão da tarde. As noticias na tv faziam-me ter a certeza de que eu era mesmo apenas um pedaço de plástico, que eu não compreendia os humanos em nada.

Às vezes o meu dono me deixa de lado, em um canto empoeirado ao lado da sua escrivaninha. Às vezes me pega e me coloca na cama dele, e estou lá de pernas abertas e a boca vermelha. Sim, eu sou uma dessas bonecas infláveis de sexshop.

Autobiografia

Eu era de plástico. Era frágil, mas, não como os seres humanos. Não tinha sentimentos, e filosofava o tempo inteiro; Era muda, movia-me apenas com ajuda alheia. Estava presa em mim. Era como se houvesse uma barreira de vidro entre mim e o mundo, e ninguém poderia adivinhar o meu segredo. Eu enxergava...

Morria muitas vezes - a morte em si era sempre igual. Mas, como o material reciclável que sou, voltava sempre diferente. Por isso eu tinha medo da morte, medo do que me tornaria numa próxima vida. Já tivera sido muitas coisas. Teve uma época em que fui uma garrafinha de refrigerante, foi quando me senti mais próxima de uma família, onde eu estava no centro da mesa e, sentados a minha volta, estavam avô e avó, tia e primos. E todos esperavam muito de mim, afinal eu era uma garrafa de coca-cola de dois litros, muito embora comentassem que a outra da garrafinha de vidro tinha um sabor melhor.

Lembro-me de ter sido também uma cadeira de escritório, mas, talvez o mais difícil tenha sido ser uma daquelas seringas de hospital. Foi a primeira vez que eu causei pavor e dor em uma vida alheia. Tempo difícil aquele...

Assistia coisas pela T.V., e o que há de pior na minha situação é que nem sempre você pode enxergar as coisas pelo melhor ângulo. Fico, então, da forma como fui deixada - às vezes de lado, ou de costas, ou até de cabeça para baixo. Dormir é impossível: estou sempre acordada para tudo, embora, muitas vezes, gostaria apenas de fechar os olhos.

Às vezes as palavras podem conotar algum sentimento, mas, acredite, eu não os tenho.

E então, agora, há um ser humano pensando ser o meu dono - pensa mesmo. É que ele não entende nada de ecologia.

Ele conversa comigo às vezes. Até pensei que sabia o meu segredo. Enganei-me, pois logo notei que ele não compreendia nada. Apenas falara pela solidão que sentia, mas já não faz mais isso há algum tempo. Eu ficava então com a tv, via romances em novela, filmes da sessão da tarde. As noticias na tv faziam-me ter a certeza de que eu era mesmo apenas um pedaço de plástico, que eu não compreendia os humanos em nada.

Às vezes o meu dono me deixa de lado, em um canto empoeirado ao lado da sua escrivaninha. Às vezes me pega e me coloca na cama dele, e estou lá de pernas abertas e a boca vermelha. Sim, eu sou uma dessas bonecas infláveis de sexshop.